A volunteer experience (7th entry)

Espaço Teu

No início de Junho, começamos um novo projecto. Todas as semanas, ia ser um dos utentes a organizar uma actividade. Essa ideia parecia-me fazer sentido nesta instituição do Espaço T, onde as pessoas recebem aulas e participam em varias actividades artísticas, culturais, físicas, dadas por vários artistas e profissionais. E a vontade foi de virar ao contrário a proposta inicial. Os utentes também têm muito para dar e partilhar. Eles também têm coisas para ensinar, e ideias para concretizar.

Portanto, deixamos um espaço livre para eles. Eles dão as ideias, e organizamos juntos a actividade se for preciso. O Bruno e a Teresa deram aulas de dança. Foi interessante ver a maneira completamente diferente deles de estruturar a aula. E foi também muito interessante ver a evolução de cada um deles na própria aula. Porque, claro, existe uma diferença entre a aula quando ainda está na mente das pessoas, e a aula quando está concreta, com “verdadeiros” alunos. Há necessidade de adaptar, de estar atente as pessoas que temos a nossa frente. Dá assim para perceber a importância da comunicação, por exemplo. Primeiro, para clarificar as intenções do “professor” ; segundo para estabelecer um contacto mais humano com as pessoas que participem na aula.

O Sr. António propôs um passeio num parque desconhecido do Porto (o parque São Roque). Foi uma tarde de convívio, para estar juntos num lugar diferente, uma tarde que permitiu a descoberta daquele espaço. Para dar a vontade de passear mais, de aproveitar dos sítios verdes da cidade.

Com o Álvaro, fizemos uma oficina aberta de contos. Ele começou a contar histórias, e os que quiseram partilhar outras histórias, contaram. Nesse tipo de encontro podem surgir palavras e intenções das quais não estávamos a espera, e que contribuem muito na beleza do momento. Assim, um dos utentes começou a pontuar os contos de canções tradicionais portuguesas.

A última aula da Ana foi uma aula de simbologia, que fez-nos reflectir sobre a nossa maneira de representar-nos a nós próprios. A “professora” impulsionou o movimento cerebral, sem impor nenhuma interpretação. Deixou-nos tirar (ou não) as conclusões que quisemos tirar. Foi um momento muito interessante de partilha colectiva, onde todas as pessoas presentes aceitaram de abrir-se, de “jogar o jogo” que estava proposto.

E a minha esperança agora é ver os utentes continuar a propor mais actividades depois da minha partida!

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