International Expressive Artes Spring Symposium 2011
De 26 de Abril a 1 de Maio de 2011 , participei na Gulbenkian neste primeiro encontro, foi bom ter reforçado as ideias que acredito ,que realmente a arte e as terapias expressivas tem um papel fundamental na ajuda das pessoas , com vista a reinserção de todas as pessoas.
Criar e fazer arte ajuda nos a repensar o mundo, a vermos o mundo a partir de outros pontos de vista.
Libertamos o nosso eu interior e , ao fazermos arte criamos possibilidades de mudança a nível pessoal e social.
Só num mundo em que se valorize a arte é que podemos afirmar que esse mesmo mundo é um mundo com indivíduos com massa critica e desenvolvimento emocional suficiente para afirmar que somos um mundo desenvolvido .
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“O meu olhar é igual ao teu, …”
Células humana unem-se num momento de amor,
Células humanas de um homem e uma mulher,
Células humanas crescem e desenvolvem-se,
Dentro de um ventre humano,
Nove meses após surge um ser sexuado.
Nesse momento, para ele o amor contínua, mas as regras sociais impõem-se pelo facto do ser ter um pénis – é homem, ou ter vagina – é mulher, com todas as condicionantes e regalias sociais.
Para já esta divisão redutora de homens e mulheres é limitada pois nós somos muito mais que um sexo.
Mesmo na sexualidade não podemos deixar de pensar logo à nascença que esse homem ou essa mulher pode ser heterossexual, homossexual, bissexual ou transsexual.
Já aqui temos quatro classes distintas em função do género. Elas devem existir, mas também o amor e o respeito por esses mesmos homens e mulheres.
Por nascermos com um pénis ou uma vagina e/ou termos outra orientação sexual qualquer, não podemos deixar de ser amados, respeitados e aspirar ao topo do conceito de felicidade. Também este, muitas vezes, definido socialmente. Mas não é bem assim que ainda acontece.
E é por isso que o Espaço t vai tendo, há alguns anos esta preocupação do respeito pelo género, da promoção interna/externa de boas práticas no que refere ao desenvolvimento social, à progressão profissional, à conciliação familiar, entre outras.
Estes pressupostos são demasiado rudimentares, que na realidade já não deveríamos falar deles, mas a verdade é que ainda vemos mulheres a serem apenas donas de casa quando queriam ser outra coisa qualquer e vemos homens a serem uma coisa qualquer quando queriam ser donos de casa.
A verdade plena não existe, mas esta, penso que estaremos lá próximos, igualdade de direitos entre género não pressupõe seres iguais, pois por mais que nos queremos imitar seremos sempre diferentes; a essência de cada um é diferente, a química de cada um é diferente, a autonomia é diferente, a sensibilidade, mesmo até em indivíduos do mesmo sexo!…
Importa sim, aceitar a diferença e na diferença crescermos em conjunto sem discriminação.
Os homens cada vez estão mais bonito, segundo os modelos de beleza actual: depilam-se, usam tónicos, fazem pillings, combinam roupas, vertem lágrimas; esta atitude é boa pois estão a descobrir o seu lado feminino, o seu lado mais estético, mais sensível, sem deixarem de ser homens que lutam por uma carreira, uma família, uma felicidade plena.
As mulheres continuam bonitas, talvez mais cuidadas até, mas passaram esse patamar para o da luta, da afirmação no mercado de trabalho, não deixando de ser mães, amantes e donas de casa.
E é esta multiplicidade de tarefas que torna o ser humano mais feliz, mais realizado com ele e com os outros. No dia em que homens e mulheres, independentemente do sexo e das suas preferências sexuais se respeitarem verdadeiramente, tendo em conta as suas heterogenias, o mundo será certamente muito melhor. Essa é também a luta do Espaço t.
O presidente do Espaço t
Jorge Oliveira
Viver é sonhar,
Sonhar é concretizar
O ideal humano.
Para que eu e tu e todos
Possamos um dia,
Viver o Homem real,
Em cada um, em vez
Do Homem em potencial, no discurso de todos.
Só assim faz.
Sentido viver,
Viver a sonhar, para transformar!
JORGE OLIVEIRA
Espaço t 2010 – Incluir os Ditos Normais em Guetos Sociais
No Futuro, os sem-abrigo dormirão em Hotéis
No Futuro, os paraplégicos, serão pilotos
No Futuro, os directores de museus serão cegos
No futuro, os anões chegarão ao Poder
No Futuro, pobres e ricos serão apenas Homens
No Futuro, cada Futebolista, construirá uma Aldeia de Felicidade
No Futuro, haverá menos tecnologia e mais massa crítica
No Futuro, todos daremos amor, eu a ti, tu a ele, ele a mim e todos a todos
No Futuro, as offshores serão um parque de diversões
No futuro, não haverá anos simbólicos
No Futuro, todos seremos iguais porque já o somos
No futuro, o mundo que é Frágil será mais forte porque o Homem existe
Jorge Oliveira
Presidente Espaço t
Reencontro
João – Ana…
Ana – João…
João – Então?
Ana- Oh..
João – Então…
Ana – Olá…
João – És tu!
Ana – Sou.
João – Quanto tempo!…
Ana – Quanto…
João – Dá-me a mão.
Ana – Está fria?
João – Tenho saudades…
Ana – Não fales!
João – As tuas mãos quentes…
Ana – Eu também.
João – O quê?
Ana – Saudades.
João – Tuas mãos quentes…
Ana – Mas estão frias?
João – Deixei de sentir calor!
Ana – Como ?
João – Na guerra.
Ana –Foi fria?
João – Foi dura!…
Ana – Muito?
João – De todo.
Ana – Os outros?
João – Morreram…
Ana – Todos ?
João – Não fales!…
Ana – Desculpa.
João – Faz-me festas.
Ana – João…
João – Ana…
Ana – Oh beija-me…
João – Quanto tempo.
Ana – A tua boca!
João – O quê?
Ana – Sabe a sangue.
João – Gengivas.
Ana – Porquê ?
João – A comida…
Ana – Pouca ?
João – Seca e podre!…
Ana – Oh…
João – Não fales…
Ana – Desculpa.
João – Faz-me festas.
Ana – Não chores.
João – É bom.
Ana – O quê?
João – Chorar
Ana – Oh João…
João – Pensei não mais chorar.
Ana – Sou eu, João a tua Ana.
João – E, Pedro?
Ana – Que bom estar aqui.
João – O Pedro, Ana ?
Ana – João…
João – Diz-me.
Ana – Sabes.
João – Oh Ana…
Ana – Morreu.
João – Não.
Ana – Deixa João.
João – De quê?
Ana – Sida.
João – Aperta-me.
Ana – Assim?
João – Afaga-me o cabelo.
Ana – Oh João.
João – A Rosa?
Ana – Casou.
João – O quê?
Ana – Com o Mário.
João – Estão bem?
Ana – Sozinhos.
João – Como?
Ana – Divórcio
João – Tiveram filhos?
Ana – Um, morreu João – O mundo é duro…
Ana – É!
João – Tens as janelas fechadas?
Ana – Tenho
João – Porquê?
Ana – Medo
João – Como?
Ana – De estar só
João – Ana…
Ana – Tens as mãos quentes.
João – A guerra é fria.
Ana – Esquece
João – Não posso
Ana – Meu João…
João – Ficamos juntos para sempre.
Ana – É bom…
João – É…
Ana – Estás bem?
João – Cansado.
Ana – Dorme
João – Contigo
Ana – Tenho medo.
João – Mas como?
Ana – Não casamos.
João – Não interessa.
Ana – A família?
João – Vou morrer!…
Ana – João, não!…
João – Quero um filho teu.
Ana – Não posso.
João – Medo?
Ana – Idade
João – Como?
Ana – João, a guerra começou há dez anos!…
João – O tempo passa depressa.
Ana – Custa a passar.
João – Agora?
Ana – Ficamos os dois.
João – Sem filhos!…
Ana – Deixa.
João – Matei tantos!
Ana – Quantos?
João – Sem fim.
Ana – João
João – Faz-me festas.
Ana – No pescoço?
João – Nas costas
. Ana – Porquê?
João – Tenho feridas
Ana – Acabou
João – Nunca
Ana – A guerra?
João – O amor…
Ana – Oh João!…
João – Deita-te.
Ana – João!..
jorge oliveira
felicidade
Felicidade é ser
Felicidade é estar
Felicidade é amar
Felicidade é tocar alguém,
e sentir e amar e beijar e cheirar e
“rasgar” esse alguém até dois serem um
Felicidade é estar só
Felicidade é ouvir o silêncio
Felicidade é perceber o vazio e conseguir tocá-lo
Felicidade é olhar
Felicidade é falar com os olhos
Felicidade é chorar
Felicidade é transmitir no exterior o nosso interior
Felicidade é nascer e não entender a morte
Felicidade é acreditar nos outros apesar de estar só
Felicidade é lutar pela nossa identidade qualquer que ela seja e
mostrar aos outros a nossa verdade
Felicidade é lutar pela vida quando a morte nos come partes do corpo
Felicidade é entender que a Terra é um ponto no Universo e nós pensamos
Felicidade é gostar de ser imperfeito num Mundo onde somos mortais
Felicidade é arrepiar-nos com a própria mão
Felicidade é deixarmo-nos levar pelas emoções dos outros
Felicidade é ouvir o Hino Nacional Ou uma balada e
sentir o sangue quente a correr nas veias
Felicidade é entender que a diferença entre ricos e pobres
são adereços
Felicidade é alterar os conceitos
Felicidade é viver a três porque a dois é pouco
Felicidade é dormir a pensar e viver a sonhar
Felicidade é dormir no sofá e comer na cama
Felicidade é transformar a TV num aquário e
o carro num banco de jardim e
a gravata num guardanapo e
o bidé numa floreira e
pintar uma parede com estrelas do céu e
perceber que o nosso mundo é só nosso
Felicidade é ter prazer sem erecção
Felicidade é gritar por amor
Felicidade é chegar ao fim e morrer com alguém ao lado que nos dá a mão e
nos fecha as pálpebras com a mesma mão que nos dá calor
Felicidade é tanta coisa e tanta gente pensa que é impossível.
jorge oliveira
solidão
Solidão É estar só
Solidão E estar com alguém e estar só
Solidão É andar na rua Ver gente É não encontrar ninguém
Solidão É arrepiar-me com a minha mão
Solidão É esperar as cartas que não vêm
Solidão É sonhar
Solidão É comprar, comprar É chegar à noite Estar só
Solidão É convidarem-te para sair É tu não ires
Solidão É ter medo da morte É sentir que ela vem perto
Solidão E esperar sempre pelo dia que vem
Solidão É saber quem tu és É ver que os outros não sabem
Solidão É ter saudades Do que não sabes
Solidão É lavar a roupa Depois de um dia de trabalho
Solidão É fumar um cigarro É sentir o cheiro dos dedos queimados
Solidão É dar um cobertor a alguém Que fica bem Mas tu estás só
Solidão É ver os outros Felizes sem saber porquê
Solidão É sentir que amas Mas não sabes o quê
Solidão É ver os dentes que caiem À medida que O tempo passa
Solidão É comer um pão Porque cozinhar Para um é demais
Solidão É beber O vinho todo De uma garrafa Porque senão Estraga-se
Solidão É pensar no NatalDo próximo ano
Solidão É querer ser poliglota
Solidão É tanta coisa E tanta gente Pensa que é Tão pouco!
jorge oliveira
O congresso do desejo transformou-se no congresso da “virgem”
Depois do congresso que o Espaço t realizou sobre o tema “o desejo”, onde estiveram cerca de 350 congressistas e mais de 40 oradores, das mais variadas áreas cientificas e outras. Posso dizer que este congresso foi um enorme sucesso essencialmente pela partilha de conteúdos científicos, mas também de partilha de vivencias de todos os intervenientes. Sentia-se ali uma energia muito positiva e transversal a todos os públicos; pois havia pessoas de todos os quadrantes sociais, culturais e até etários.
A parte que mais estranhei foi a abordagem que alguma comunicação social deu a este congresso, ou seja de toda uma enorme riqueza de intervenções, e que não são mencionadas. Foram todas excepcionalmente boas, nomeadamente a da Margarida Menezes ou presidente do clube das virgens.
Apesar de alguns meios reflectirem sobre outros oradores, uma grande maioria pretendeu apenas falar da “virgem”, e digo isto não num tom depreciativo, pelo contrário, achei a atitude deste clube bastante interessante e símbolo da democracia; mas pelo facto da abordagem que foi feita, a sua intervenção transmitir um enorme vazio de conteúdo, quase o apresentar de um “objecto raro”.
Se analisarmos estas notícias, chegamos a conclusão que não concluímos nada e também não aprendemos nada.
É pena…Pois um país que se quer culto, mesmo que seja ao nível dos conteúdos mais básicos, tem que haver conteúdos, e para isso a comunicação social tem uma enorme responsabilidade para os transmitir, e o publico tem a obrigação de interagir do sentido amplo de receber a informação e a decifrar e não deixar se alienar por futilidades, que podendo não as ser, podem ser se não estiverem integradas e contextualizadas.
Portugal é um grande pais mas para isso tem de ter critica, e essa passa por todos nós.
Numa época de crise só um novo homem pode melhorar a condição da existência Humana – homem t
Um Homem utópico,
Que se pode tornar real,
Se lutarmos por ele…
Um Homem verdadeiro nas suas convicções,
Um Homem que aceita o outro como se aceita a si,
Um Homem que respeita o outro como se respeita,
Um Homem que luta pela sua felicidade e a dos outros,
Um Homem que é sensível e não tem medo de mostrar essa sensibilidade,
Um Homem que é Homem, Mulher, ou outro, que é branco, negro ou outro,
Que é tudo ou nada , mas faz parte de uma sociedade inclusa de todos e para todos.
Jorge Oliveira