International Expressive Artes Spring Symposium 2011

De 26 de Abril a 1 de Maio de 2011 , participei na Gulbenkian neste primeiro encontro, foi bom ter reforçado as ideias que acredito ,que realmente a arte e as terapias expressivas tem um papel fundamental na ajuda das pessoas , com vista a reinserção de todas as pessoas.

Criar e fazer arte ajuda nos a repensar o mundo, a vermos o mundo a    partir de outros pontos de vista.
Libertamos o nosso eu interior e , ao fazermos arte criamos possibilidades de mudança a nível pessoal e social.
Só num mundo em que se valorize a arte é que podemos afirmar que esse mesmo mundo é um mundo com indivíduos com massa critica e desenvolvimento emocional suficiente para afirmar que somos um mundo desenvolvido .

http://www.facebook.com/photo.php?pid=2397497&id=1255958070

“O meu olhar é igual ao teu, …”

 

Células humana unem-se num momento de amor,

Células humanas de um homem e uma mulher,

Células humanas crescem e desenvolvem-se,

Dentro de um ventre humano,

Nove meses após surge um ser sexuado.

Nesse momento, para ele o amor contínua, mas as regras sociais impõem-se pelo facto do ser ter um pénis – é homem, ou ter vagina – é mulher, com todas as condicionantes e regalias sociais.

Para já esta divisão redutora de homens e mulheres é limitada pois nós somos muito mais que um sexo.

Mesmo na sexualidade não podemos deixar de pensar logo à nascença que esse homem ou essa mulher pode ser heterossexual, homossexual, bissexual ou transsexual.

Já aqui temos quatro classes distintas em função do género. Elas devem existir, mas também o amor e o respeito por esses mesmos homens e mulheres.

Por nascermos com um pénis ou uma vagina e/ou termos outra orientação sexual qualquer, não podemos deixar de ser amados, respeitados e aspirar ao topo do conceito de felicidade. Também este, muitas vezes, definido socialmente. Mas não é bem assim que ainda acontece.

E é por isso que o Espaço t vai tendo, há alguns anos esta preocupação do respeito pelo género, da promoção interna/externa de boas práticas no que refere ao desenvolvimento social, à progressão profissional, à conciliação familiar, entre outras.

Estes pressupostos são demasiado rudimentares, que na realidade já não deveríamos falar deles, mas a verdade é que ainda vemos mulheres a serem apenas donas de casa quando queriam ser outra coisa qualquer e vemos homens a serem uma coisa qualquer quando queriam ser donos de casa.

A verdade plena não existe, mas esta, penso que estaremos lá próximos, igualdade de direitos entre género não pressupõe seres iguais, pois por mais que nos queremos imitar seremos sempre diferentes; a essência de cada um é diferente, a química de cada um é diferente, a autonomia é diferente, a sensibilidade, mesmo até em indivíduos do mesmo sexo!…

Importa sim, aceitar a diferença e na diferença crescermos em conjunto sem discriminação.

Os homens cada vez estão mais bonito, segundo os modelos de beleza actual: depilam-se, usam tónicos, fazem pillings, combinam roupas, vertem lágrimas; esta atitude é boa pois estão a descobrir o seu lado feminino, o seu lado mais estético, mais sensível, sem deixarem de ser homens que lutam por uma carreira, uma família, uma felicidade plena.

As mulheres continuam bonitas, talvez mais cuidadas até, mas passaram esse patamar para o da luta, da afirmação no mercado de trabalho, não deixando de ser mães, amantes e donas de casa.

E é esta multiplicidade de tarefas que torna o ser humano mais feliz, mais realizado com ele e com os outros. No dia em que homens e mulheres, independentemente do sexo e das suas preferências sexuais se respeitarem verdadeiramente, tendo em conta as suas heterogenias, o mundo será certamente muito melhor. Essa é também a luta do Espaço t.

 

O presidente do Espaço t

Jorge Oliveira

 

 

Viver é sonhar,
Sonhar é concretizar
O ideal humano.
Para que eu e tu e todos
Possamos um dia,
Viver o Homem real,
Em cada um, em vez
Do Homem em potencial, no discurso de todos.
Só assim faz.
Sentido viver,
Viver a sonhar, para transformar!

JORGE OLIVEIRA

Espaço t 2010 – Incluir os Ditos Normais em Guetos Sociais

 

 

 

 

No Futuro, os sem-abrigo dormirão em Hotéis

No Futuro, os paraplégicos, serão pilotos

No Futuro, os directores de museus serão cegos

No futuro, os anões chegarão ao Poder

No Futuro, pobres e ricos serão apenas Homens

No Futuro, cada Futebolista, construirá uma Aldeia de Felicidade

No Futuro, haverá menos tecnologia e mais massa crítica

No Futuro, todos daremos amor, eu a ti, tu a ele, ele a mim e todos a todos

No Futuro, as offshores serão um parque de diversões

No futuro, não haverá anos simbólicos  

No Futuro, todos seremos iguais porque já o somos

No futuro, o mundo que é Frágil será mais forte porque o Homem existe

 

Jorge Oliveira

Presidente Espaço t

Reencontro

João – Ana…

Ana – João…

João – Então?

Ana- Oh..

João – Então…

Ana – Olá…

João – És tu!

Ana – Sou.

João – Quanto tempo!…

Ana – Quanto…

João – Dá-me a mão.

Ana – Está fria?

João – Tenho saudades…

Ana – Não fales!

João – As tuas mãos quentes…

Ana – Eu também.

João – O quê?

Ana – Saudades.

João – Tuas mãos quentes…

Ana – Mas estão frias?

João – Deixei de sentir calor!

Ana – Como ?

João – Na guerra.

Ana –Foi fria?

João – Foi dura!…

Ana – Muito?

 João – De todo.

Ana – Os outros?

João – Morreram…

Ana – Todos ?

João – Não fales!…

Ana – Desculpa.

João – Faz-me festas.

Ana – João…

João – Ana…

Ana – Oh beija-me…

João – Quanto tempo.

Ana – A tua boca!

João – O quê?

Ana – Sabe a sangue.

 João – Gengivas.

Ana – Porquê ?

João – A comida…

Ana – Pouca ?

 João – Seca e podre!…

Ana – Oh…

João – Não fales…

Ana – Desculpa.

João – Faz-me festas.

 Ana – Não chores.

João – É bom.

Ana – O quê?

João – Chorar

Ana – Oh João…

João – Pensei não mais chorar.

Ana – Sou eu, João a tua Ana.

João – E, Pedro?

Ana – Que bom estar aqui.

 João – O Pedro, Ana ?

Ana – João…

João – Diz-me.

Ana – Sabes.

João – Oh Ana…

Ana – Morreu.

João – Não.

Ana – Deixa João.

João – De quê?

Ana – Sida.

João – Aperta-me.

Ana – Assim?

João – Afaga-me o cabelo.

Ana – Oh João.

 João – A Rosa?

 Ana – Casou.

João – O quê?

Ana – Com o Mário.

João – Estão bem?

Ana – Sozinhos.

João – Como?

Ana – Divórcio

João – Tiveram filhos?

Ana – Um, morreu João – O mundo é duro…

Ana – É!

João – Tens as janelas fechadas?

Ana – Tenho

João – Porquê?

Ana – Medo

João – Como?

 Ana – De estar só

João – Ana…

Ana – Tens as mãos quentes.

 João – A guerra é fria.

Ana – Esquece

 João – Não posso

Ana – Meu João…

João – Ficamos juntos para sempre.

Ana – É bom…

João – É…

Ana – Estás bem?

João – Cansado.

Ana – Dorme

João – Contigo

Ana – Tenho medo.

João – Mas como?

Ana – Não casamos.

João – Não interessa.

Ana – A família?

João – Vou morrer!…

Ana – João, não!…

João – Quero um filho teu.

Ana – Não posso.

João – Medo?

Ana – Idade

João – Como?

 Ana – João, a guerra começou há dez anos!…

João – O tempo passa depressa.

Ana – Custa a passar.

João – Agora?

Ana – Ficamos os dois.

João – Sem filhos!…

Ana – Deixa.

João – Matei tantos!

Ana – Quantos?

João – Sem fim.

Ana – João

 João – Faz-me festas.

 Ana – No pescoço?

João – Nas costas

. Ana – Porquê?

João – Tenho feridas

Ana – Acabou

João – Nunca

Ana – A guerra?

João – O amor…

Ana – Oh João!…

João – Deita-te.

Ana – João!..
jorge oliveira

felicidade

Felicidade é ser

Felicidade é estar

Felicidade é amar

Felicidade é tocar alguém,

e sentir e amar e beijar e cheirar e

 “rasgar” esse alguém até dois serem um

Felicidade é estar só

Felicidade é ouvir o silêncio

Felicidade é perceber o vazio e conseguir tocá-lo

Felicidade é olhar

 Felicidade é falar com os olhos

Felicidade é chorar

Felicidade é transmitir no exterior o nosso interior

Felicidade é nascer e não entender a morte

Felicidade é acreditar nos outros apesar de estar só

Felicidade é lutar pela nossa identidade qualquer que ela seja e

mostrar aos outros a nossa verdade

Felicidade é lutar pela vida quando a morte nos come partes do corpo

Felicidade é entender que a Terra é um ponto no Universo e nós pensamos

Felicidade é gostar de ser imperfeito num Mundo onde somos mortais

Felicidade é arrepiar-nos com a própria mão

Felicidade é deixarmo-nos levar pelas emoções dos outros

Felicidade é ouvir o Hino Nacional Ou uma balada e

sentir o sangue quente a correr nas veias

 Felicidade é entender que a diferença entre ricos e pobres

são adereços

 Felicidade é alterar os conceitos

Felicidade é viver a três porque a dois é pouco

Felicidade é dormir a pensar e viver a sonhar

Felicidade é dormir no sofá e comer na cama

Felicidade é transformar a TV num aquário e

 o carro num banco de jardim e

a gravata num guardanapo e

o bidé numa floreira e

 pintar uma parede com estrelas do céu e

 perceber que o nosso mundo é só nosso

 Felicidade é ter prazer sem erecção

 Felicidade é gritar por amor

 Felicidade é chegar ao fim e morrer com alguém ao lado que nos dá a mão e

nos fecha as pálpebras com a mesma mão que nos dá calor

 Felicidade é tanta coisa e tanta gente pensa que é impossível.

jorge oliveira

solidão

Solidão É estar só

Solidão E estar com alguém e estar só

 Solidão É andar na rua Ver gente É não encontrar ninguém

 Solidão É arrepiar-me com a minha mão

Solidão É esperar as cartas que não vêm

 Solidão É sonhar

 Solidão É comprar, comprar É chegar à noite Estar só

Solidão É convidarem-te para sair É tu não ires

 Solidão É ter medo da morte É sentir que ela vem perto

 Solidão E esperar sempre pelo dia que vem

Solidão É saber quem tu és É ver que os outros não sabem

Solidão É ter saudades Do que não sabes

 Solidão É lavar a roupa Depois de um dia de trabalho

 Solidão É fumar um cigarro É sentir o cheiro dos dedos queimados

Solidão É dar um cobertor a alguém Que fica bem Mas tu estás só

Solidão É ver os outros Felizes sem saber porquê

 Solidão É sentir que amas Mas não sabes o quê

Solidão É ver os dentes que caiem À medida que O tempo passa

Solidão É comer um pão Porque cozinhar Para um é demais

Solidão É beber O vinho todo De uma garrafa Porque senão Estraga-se

Solidão É pensar no NatalDo próximo ano

Solidão É querer ser poliglota

Solidão É tanta coisa E tanta gente Pensa que é Tão pouco!

jorge oliveira

O congresso do desejo transformou-se no congresso da “virgem”

Depois do congresso que o Espaço t  realizou sobre o tema “o desejo”, onde estiveram cerca de 350 congressistas e mais de 40 oradores, das mais variadas áreas cientificas e outras. Posso dizer que este congresso foi um enorme sucesso essencialmente pela partilha de conteúdos científicos, mas também de partilha de vivencias de todos os intervenientes. Sentia-se ali uma energia muito positiva e transversal a todos os públicos; pois havia pessoas de todos os quadrantes sociais, culturais e até etários.

A parte que mais estranhei foi a abordagem que alguma comunicação social deu a este congresso, ou seja de toda uma enorme riqueza de intervenções, e que não são mencionadas. Foram todas excepcionalmente boas, nomeadamente a da Margarida Menezes ou presidente do clube das virgens.

Apesar de alguns meios reflectirem sobre outros oradores, uma grande maioria pretendeu apenas falar da “virgem”, e digo isto não num tom depreciativo, pelo contrário, achei a atitude deste clube bastante interessante e símbolo da democracia; mas pelo facto da abordagem que foi feita, a sua intervenção transmitir um enorme vazio de conteúdo, quase o apresentar de um “objecto raro”.

Se analisarmos estas notícias, chegamos a conclusão que não concluímos nada e também não aprendemos nada.

É pena…Pois um país que se quer culto, mesmo que seja ao nível dos conteúdos mais básicos, tem que haver conteúdos, e para isso a comunicação social tem uma enorme responsabilidade para os transmitir, e o publico tem a obrigação de interagir do sentido amplo de receber a informação e a decifrar e não deixar se alienar por futilidades, que podendo não as ser, podem ser se não estiverem integradas e contextualizadas.

Portugal é um grande pais mas para isso tem de ter critica, e essa passa por todos nós.

Numa época de crise só um novo homem pode melhorar a condição da existência Humana – homem t

Um Homem utópico,
Que se pode tornar real,
Se lutarmos por ele…
Um Homem verdadeiro nas suas convicções,
Um Homem que aceita o outro como se aceita a si,
Um Homem que respeita o outro como se respeita,
Um Homem que luta pela sua felicidade e a dos outros,
Um Homem que é sensível e não tem medo de mostrar essa sensibilidade,
Um Homem que é Homem, Mulher, ou outro, que é branco, negro ou outro,
Que é tudo ou nada , mas faz parte de uma sociedade inclusa de todos e para todos.

Jorge Oliveira